quinta-feira, 24 de junho de 2010

AVISO:

Escrevi um post, mas como o tinha nos rascunhos já algum tempo... este foi publicado mais abaixo., está antes do relatório trimestral do Lauro.
Grazie!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Relato trimestral: errata

Esqueci-me de mencionar, no post anterior, que a minha experiência de morar numa residência universitária chegou ao fim no passado dia 12. Desde então moro numa pequena típica casa do proletariado britânico. Porquê britânico e não irlandês? Porque mudei-me para o coração da zona a que chamam "The Village", um bairro muito protestante, pró-britânico, onde mora gente com convicções fortes. À minha volta já não há árvores e estudantes bêbados, mas sim murais e mensagens alusivas aos grupos para-militares de outrora, apoio aos locais e afins... Só isso já me deixou apreensivo, depois na semana seguinte o PM David Cameron leu um pedido de desculpas oficial às vítimas do Bloody Sunday, quando se soube o resultado da investigação que mais demorou e mais custou na história do Reino Unido, revelando que os soldados britânicos responsáveis pelo que aconteceu foram culpados. De um lado houve sentimento de justiça, do outro, até agora, reacções discretas e reprovadoras. Dizem que todos os verões os problemas escalam um pouco mais e alguns temem que o resultado desta investigação possa acender, outra vez, o rastilho. Felizmente, mais umas semanas e piro-me daqui. Espero apenas que de uma vez por todas toda a gente resolva seguir em frente, não esquecendo o passado, mas aprendendo com ele e corrigindo o que de errado se fez, para que no futuro ninguém tenha medo de vir disfrutar do muito que a Irlanda do Norte tem para oferecer.

See you soon

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Relato trimestral

Andava toda a gente a chatear a nossa Buwch e ninguém se lembrava de mim, até o italiano ter feito um reparo discreto à minha assiduidade no blog. Se calhar ninguém queria que eu escrevesse mais ou ninguém estava interessado nas minhas aventuras... Se era esse o caso, lamento a desilusão mas chegou a hora de eu escrever qualquer coisinha.

Resolvi consultar o nosso espaço e parece que já não escrevo nada de interessante neste blog, aparte "gozar" com os erros dos outros e chatear directamente outras pessoas, desde Fevereiro. Gravíssimo... que se passou então desde esse mês?! Bolas, muita coisa mesmo... vou tentar relatar tudo muito brevemente.

Se a memória não me falha, tudo começou depois do dia de S. Patrício ou Paddy's Day, como é conhecido por aqui. Feriado obrigatório e dia de bebedeira (à séria!) para todos os irlandeses espalhados pelo mundo. Foi um grande dia!

Umas semanas depois recebi a visita dos meus pais e da minha irmã, que sacrificaram-se em vir apanhar um pouco de frio e chuva para passar a Páscoa comigo. Resolvi então aproveitar e matar dois coelhos com uma só cajadada. Alugámos um carro e fomos à descoberta do norte da Irlanda do Norte, tido como uma das zonas costeiras mais bonitas do Mundo, ou como eles gostam de anunciar em placas espalhadas pela estrada "Area of Outstanding Natural Beauty". E têm razão, fazer a estrada da linha costeira, com o mar azul e a Escócia como pano de fundo (num bom dia) é uma experiência espectacular! Chegar depois à famosa Calçada dos Gigantes e observar todas as maravilhas naturais da área circundante é breathtaking! Ainda visitámos a cidade de Derry ou Londonderry, depende da vossa cor política, e inteirámos-nos da sangrenta história que ali se fez, desde os primórdios da civilização até ao Bloody Sunday, até aos nossos dias. De seguida apanhei uma boleia com os meus pais até Londres, cidade da qual já muito se escreveu e pouco mais tenho a acrescentar, mas foi daqui que parti para a minha primeira conferência como cientista. Viena, a cidade de Mozart, Strauss, Klimt e muitos outros artistas, foi a minha próxima paragem! Poster apresentado, contactos feitos, museus visitados, estava na hora de voltar para a ilha.

Estamos, portanto, em Abril e dentro de dias, quando era suposto estar à volta ao ritmo de trabalho normal depois de umas curtas férias, eis que chega o meu aniversário. Consequência de me sentir mais velho, ou não, resolvi celebrá-lo com um concerto de punk, algo a que estava mais habituado quando era um teenager ainda. Não sem antes passar no Nando's, não para comer frango, mas para beber algo que não pensei existir por aqui, Sagres e Super Bock! Boa noite, bom concerto, boas dores no dia seguinte. Estou a ficar velho! No fim-de-semana ainda tive direito a uma festa de aniversário em conjunto com mais umas nacionalidades, sempre bom!

Sensivelmente um mês depois, quase como se de um telefonema se tratasse e a distância que nos separa fosse feita em 5 minutos, o belga diz-me "puto, vou aí!". Ele já relatou o que por aqui fez, permitindo-me a mim apenas dizer obrigado!

Vivam os low-costs que tornam o mundo mais pequeno e que tornam possível estes encontros esporádicos entre estudantes, pois uma semana depois foi a minha vez, outra vez. Desta feita, Belfast-Liverpool-Chester-Bangor. Infelizmente as passagens pela piscina de fígado (esta é para ti ragazzo) e por Chester não passaram disso, passagens. Bangor é verde, montanhoso, pequeno, acolhedor, e naquele fim-de-semana foi muito populoso, soalheiro, quente e agradável. Tive a sorte, ou azar, de ir lá na mesma altura que a BBC Radio 1 resolveu fazer um festival nos arredores, para o qual infelizmente nenhum de nós conseguiu ganhar bilhetes, o que fez com que tivéssemos de nos afastar até uma das praias da ilha de Anglesey. Depois de uma boa (= longa) caminhada chegámos ao nosso destino e tive pela primeira vez, voluntariamente, os pés em águas britânicas. E pouco depois as pernas, seguidas do tronco e finalmente todo o corpo. Podia ter ficado pelos pés, mas se o italiano se atira à água eu também vou! Depois de 5 minutos voltava a terra para concluir o meu primeiro mergulho do ano, não enregelado como esperaria, mas surpreendentemente satisfeito e com o sentimento de que o verão chegara. Sentimento esse que pouco durou, pois no dia seguinte aquando da partida os céus choraram de saudade e borraram a imagem que tinha de Bangor. Enfim, tipical british weather. Mas o saldo foi claramente positivo, eu recomendo Bangor! Só não vão na conversa de hotdogs por 1 pound e não tentem entender o galês! Deixo aqui outro obrigado, agora para a Buwch!!

Pensava eu que já não ia passear muito pela ilha, quando o Ronen voltou cheio de pica das férias dele e decidiu que tínhamos que fazer mais coisas juntos, consolidar o espírito de grupo de laboratório. Que aqui somos como uma equipa, senão nos damos bem lá fora, dentro de campo a coisa não funciona. Então, "next stop, the most northernly point in Ireland"! Que fica no sul! Uma piadinha que eles gostam de fazer, pelo facto do ponto mais a norte da ilha estar no território dos vizinhos. Lá estive então, provavelmente no dia mais quente que aqui vivi, a fazer um piquenique em Malin Head, também o local mais a norte onde alguma vez fui. E já que aqui estava, que é que não podia deixar de fazer? Tomar um banho no mar! Enchi-me de coragem e lancei-me à água, para rapidamente me arrepender de tão irracional decisão. As saudades do nosso mar salgado (bem mais que este) dão nestas coisas.

Entretanto começou a euforia do mundial! Aqui no lab decidimos fazer um "sweepstakes", onde todos entram com um dinheirinho, tiram uma equipa do pote e o vencedor leva tudo! Azar de quem tira as equipas pequeninas né? Pois adivinhem lá quais foram as que me saíram… Argélia e Camarões! Ao início até pensei que não fosse muito mau, mas depois das gambas serem despachadas para casa mais cedo… Enfim, ao menos tenho (tinha) 3 equipas para torcer! E neste espírito lá nos juntámos numa tarde soalheira, para fazer um barbecue e ver os bifes a dar-se mal com os yanks.

E o mundial continua e o tempo vai passando, aproximando-se a passos cada vez mais largos a hora da despedida. Enquanto a hora não chega, festeja-se! Que hoje Portugal começou a preparar o rodízio brasileiro de sexta-feira, ao pôr na mesa de uma só vez sete batatas!


See you soon!


PS: desculpem a extensão do post mas tinha mesmo de ser. Fotos disponíveis no facebook.

Il primo mese

Comecei a escrever este post no passado dia 21, e neste dia fez precisamente um mês desde que cheguei a Lecce. Por incrível coincidência fez também um ano desde que fui operado a primeira vez ao meu joelho. Como tal, achei que fosse um bom pretexto para publicar mais qualquer coisita.
Convosco deve ter acontecido o mesmo que me aconteceu, que foi achar que o tempo tinha passado estupidamente rápido, quando me ponho a pensar que já estou à um mês em Lecce.... realmente parece difícil de acreditar.
A vida por este lados vai de vento em popa, a casa onde estou é bastante porreira, assim como o meu colega de casa, a malta de erasmus mostra-se cada vez mais afável, igualmente como a malta do laboratório.
Vivo ao lado de estudantes de erasmus espanhóis, com os quais me dou bastante bem e com eles e mais outros tenho ocupado parte do meu tempo a ir a praias aqui nas redondezas, muitas das fotos das praias estão no facebook. Lá está que como sou dos pouquíssimos erasmus que tem carro, tenho feito de motorista nestas saídas, o que é sempre um pouco arriscado, pois supostamente a carrinha só pode levar 2 pessoas e noutro dia fomos nada mais, nada menos que 11 pessoas na minha casinha, para a praia. Mas até nisso tenho tido sorte, pois nesse dia, das 11 pessoas, ao irmos para uma pequena cidade onde o meu colega de casa (Enrico) mora, ele perdeu-se um pouco nos caminhos, pelo que perguntamos a um cavalheiro por direcções. Este disse-nos que poderíamos ir por um caminho bastante rápido, mas que como eu tinha "a casa cheia", ele disse-nos para seguirmos outro, um pouco mais longo, pois no outro caminho havia operações stop. Depois de mais uns dedos de conversa, ficamos a perceber que o tal cavalheiro era policia!!! e era por isso que sabia da operação stop. Como podem ver... não me posso queixar da sorte.
Por falar em policia, no sábado, grande parte do grupo de erasmus, fomos sair para uma discoteca que ficava a cerca de 30 minutos de Lecce, fretámos um mini autocarro, de 20 lugares, e o giro destas coisas é que éramos 24 pessoas, e lá fomos sair. A noite foi bastante bacana, embora que a discoteca tivesse fechado às 5 e o autocarro só chegaria ás 0630, pelo que tivemos bastante tempo para fazer o que bêbedos alegres fazem... MERDA!
Ao lado da discoteca havia uma praia privada, sim isto em Itália é possível, onde haviam umas quantas atracções para as crianças, para as entreter e divertir enquanto estão na praia. Ora escusado será dizer, que qualquer coisa que entretenha uma criança, também entretém uma meia dúzia de erasmus bêbedos... O capo lavoro (obra prima) destas atracções, eram uns trampolins que ali sorriam para estas almas perdidas... quando fomos para brincar naquelas coisas, eis que surgiu o guarda da praia, a dizer que aquela praia era privada, que não podíamos estar ali, e que se no metêssemos nos trampolins, ele iria chamar a policia. A reacção do pessoal foi geral.... no segundo seguinte estava-mos aos saltos nos trampolins e a cantar a musica dos Trabalhadores do Comercio- "Chamem a policia!" quer na versão portuguesa quer na espanhola...
E pronto... minutos depois, saltos e quedas de boca para a areia.... lá apareceu a policia. Eu tive sorte, não fui notificado, pois não me encontrava aos saltos nessa altura, mas os que foram identificados também não sofreram nenhuma represália, foram somente identificados.
Assim se passou aquele tempo de espera, e passado pouco tempo apanhámos o autocarro, que nos levou de volta. Chegamos perto das 8 a Lecce, fui comprar pão para o meu pequeno almoço e fui dormir uma merecida sesta.
Ontem à noite realizou-se um jantar de despedida da malta de erasmus, não é que se vão já todos embora, mas infelizmente começam a partir. O grupo era pequeno, 69 pessoas, não só de erasmus mas também alguns italianos.
O jantar (comidas e bebidas) foi fraquinho, aliás uma grande banhada, foram 13 euros para comer pouco e mal. Beber... foi igualmente fraco, não havia cerveja, o vinho que havia era pouco, fraco e parecia água pé misturada com agua... talves seja esta a definição de agua pé para os italianos....
A parte interessante foi a entrega de diplomas, feitos pela malta de erasmus, onde todos foram premiados na sua categoria, independentemente de qual ela fosse. Fiquei bastante contente, devo dize-lo, por se terem lembrado de mim, e terem feito um para mim, embora não me conheçam à um mês sequer....
" Por ser el último Erasmus en llegar, por adaptarse desde el primer momento, por llevar una casa con todo tipo de detalles siempre consigo y por contribuir con ese caparazón a disfrutar de los ricones del Salento."... O prémio Caracol vai para........(rufam os tambores)..... Nuno Sales Henriques!!! E o restaurante foi ao rubro! (não é verdade, foram umas palmas iguais às que os outros erasmus levaram...). Ainda me pediram para dizer umas palavras, mas sinceramente não estava preparado para tal e o meu italiano não é fortíssimo, pelo que limitei-me a agradecer em todas as línguas que ali estavam presentes, ou quase todas vá....
Depois do jantar a malta foi para a praça de Sta Chiara, mas eu e mais dois compatriotas fomos a minha casa antes deixar os diplomas, que na noite não sobreviveriam, e resolvemos tomar mais umas coisas em minha casa.
Um desses portugueses é um grande amigo do Jampa, ele é de Torres Novas e é amigo dele desde pequeno...Ainda dizem que o Mundo é grande....
Ora esse organismo, o Tiago, deu-se mal com a "sobremesa" do jantar... de maneiras que começou a ficar mal disposto e teve que vomitar.... onde? Na sanita....não, foi mesmo no lava-loiças e para cima da loiça do meu colega de casa..... fixe não é?
Posto isto eu e o André tivemos que ir leva-lo a casa, e depois claro tive que voltar a casa para lavar a loiça do outro, que o Tiago lhe vomitou em cima.... foi uma operação interessante.....
Feitas as limpezas, eu e o André fomos então ao encontro do resto da malta que estava no centro, e por ali se ficou a noite....

Ciao!

sábado, 5 de junho de 2010

I primi giorni

Passaram-se 16 dias desde que cheguei a Lecce (dass!!! não me consigo concentrar, com a porcaria da musica dos meus vizinhos espanhóis aos altos berros) esqueçam este aparte.
Como sabem, cheguei a Lecce no dia 21 de Maio e desde então a minha vida tem sido estado bastante ocupada.
Na 2a feira dia 24, fui encontrar-me com o presidente da associação de estudantes desta universidade, para me ajudar a encontrar casa. O Ricardo, reflecte bem o típico italiano, segundo a minha perspectiva claro. É um tipo impecável e muito prestável. Fui ter com ele à associação de estudantes, para começar-mos a procurar casa. Ele propôs que eu ficasse numa casa de estudantes espanhóis de erasmus, eu claro que achei uma excelente ideia.
No final dessa tarde fomos ver a tal casa, o pessoal residente mostrou-se impecável e fizeram logo sentir-me bem vindo. Decidi que queria lá ficar, e eles ficaram de falar com o senhorio, no dia seguinte diriam me qualquer coisa. Assim foi, mas a resposta do homem é que não foi favorável, pelos vistos ele já não queria mais estrangeiros na sua casa.
Falei com o Ricardo, para ver se podia falar com o senhorio, depois de conversar com ele, disse-me que o pessoal que o pessoal daquela casa, juntamente com outros erasmus, já tinham feito muita porcaria, nomeadamente o habitual barulho, que vindo de uma casa de espanhóis não é nada de estranhar, até o arrombar de uma porta da casa vizinha ( também casa de erasmus).
Mesmo assim o "diplomata" e presidente da associação tentou dissuadir o proprietário da casa em me deixar lá ficar, dizendo que me conhecia e que eu era uma pessoa muito calma, etc, etc. O homem lá disse que como confiava no Ricardo que iria pensar no assunto.
O meu problema é que eu não tinha muito tempo, pois estava a pagar um Bed and Breakfast e que tinha de me mudar o mais rápido possível.
Passaram-se um 4 ou 5 dias e nada, por sorte em conversa com outros dois espanhóis soube que na casa ao lado da deles, havia um quarto para alugar, que vim ver na 2a feira, dia 31, o qual me agradou, e como já devem ter percebido, é de onde vos estou a escrever.
Moro com um italiano, que estuda ciências políticas e que também é RP num bar daqui de Lecce, o que é sempre porreiro, especialmente porque o gajo também é um bacano e até agora estamos a dar-nos lindamente.

Durante o meu período de estrela de Rock´n Roll, ou seja quando vivi no hotel, chamemos-lhe assim, comecei a dar-me com a malta de erasmus, pois no dia seguinte a ir ver a casa onde moravam os espanhóis, estes convidaram-me para ir sair e para apresentarem-me o resto do grupo.
Claro que aceitei de bom grado o convite, mas sempre com aquela sensação de que iria ser uma espécie alienígena, no meio de um grupo de erasmus que se conhecem à mais de meio ano. Facto é que quando fui apresentado, fui muito bem acolhido e toda a gente mostrou curiosidade em conhecer-me, e claro saber porque é que só tinha chegado agora. O assunto, como sabem, não é o mais feliz, mas é sempre uma boa forme de começar uma conversa.
Por falar em conversa, devo admitir que a barreira linguística é um entrave bastante grande para quem se quer integrar num grupo já formado, onde a maioria das pessoas são espanholas e essa maioria pertence ao Sul de Espanha. Não é que eu tenha muitas dificuldades em fazer entender-me, mas perceber o que eles estão a falar, quando falam entre eles, isso já é outra conversa.
Noites mais tarde, lá conheci o grupo de Tugas, que também são muito porreiros, e bastante passados da cabeça, pelo menos um ou dois deles! A contar comigo somos 6.

No Domingo passado fui com a malta ver o jogo de consagração do US Lecce, que para o ano sobe à serie A da liga italiana. O jogo foi uma verdadeira seca, tendo acabado empatado a zero. Nem por isso a festa foi pequena, porque depois do jogo fomos festejar para a praça de St. Oronso. Esta estava completamente cheia e pintada com as cores do clube, de facto um óptimo ambiente!
Resta-me sublinhar que a minha casinha ambulante teve o seu papel nesta festa, ao transportar 15 pessoas do estádio até à zona da festa, sinceramente aquilo parecia uma camioneta de transportar gado, mas pronto.
E assim se passaram os primeiros dias em Lecce!

Ciao!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dyma fi!!!

Finalmente deixo-me de 'preguicites' e de desculpas manhosas para não escrever neste espaço repleto de emoções, onde seis humildes escamas espalhadas por toda a Europa, relatam todas aquelas experiências que um dia serão relembradas como uma das melhores coisas das nossas vidas!!! Aproveito este lindo nascer do sol de terras galesas para vos contar um pouco de tudo aquilo que tenho feito estes últimos meses e como corre a vida aqui nesta pequena mas bela cidade.

Pois bem... foi precisamente no dia 18 de Janeiro que escrevi o meu último post neste blog, no qual muito me orgulho de fazer parte! =) A todas as escamas, amigos, leitores apresento as minhas desculpas!

Posso dizer que muita coisa aconteceu, desde imprevistos e falta de cooperação por parte dos meus peixinhos, que me obrigaram a alterar os meus planos, desde passeios e viagens, saídas e convívios, entre outras muitas coisas!! Mas uma coisa de cada vez...

Comecemos pelo factor mais importante, o que me fez vir parar a estas terras, o projecto para a tese. Penso que já é do vosso conhecimento que estou a estudar o comportamento animal de ciclideos do Lago Malawi, focando-me essencialmente na espécie Pseudotropheus zebra. Como todos os ciclideos, estes peixes são bastante activos e 'interactivos', tendo comportamentos e reacções bastante cómicas, interessantes e por vezes até curiosas. No entanto, por algum motivo que ainda desconheço (provavelmente não gostaram de mim), todos estes indivíduos decidiram não cooperar comigo e com o meu 'árduo' trabalho, pelo que me vi obrigada a mudar o foco do meu projecto. Inicialmente, estava a fazer o estudo reprodutivo da espécie, através de 'male mate choice', com duas populações distintas do Lago de Malawi, e como objectivos principais, queria confirmar se realmente os machos desempenhavam um importante papel na escolha de parceiros (neste caso fêmeas), se os comportamentos de corte de intensificavam quando estavam expostos a fêmeas com morfologia 'blotched', e ainda, se conseguiriam distinguir 'conspecific females', ou seja, se os machos eram capazes de distinguir as fêmeas de ambas as populações. Todo este procedimento poderia estar sujeito a diversos sistemas sensoriais, mas eu estava apenas a explorar dois deles: visual e olfactivo. Bem, mas como não obtive quaisquer resultados, durante quatro meses de amostragens, o Gavan, que é o phD lá do laboratório e que me tem acompanhado, disse-me que tinha algumas sugestões no caso de querer mudar o tema, ao que eu respondi, porque não?!. Então, eis que à sensivelmente um mês atrás comecei um novo estudo: agressividade entre fêmeas, continuando a trabalhar com a mesmas espécie, e verificar se elas, tal como os machos, conseguem diferenciar as populações das fêmeas 'intrusas'. Esperemos que agora corra tudo bem melhor, já que o tempo até a escassear a passos bem largos.

Deixando estas preocupações de parte que tanto nos 'aborrecem', porque não contar como está esta pequena vila bem como outras terras britânicas?!

Confesso que tenho a sorte de poder viajar um pouco por aqui e não só. No fim do mês de Fevereiro, fui a Belfast visitar a nossa escama mais escurinha =P pude conhecer a sua nova cidade, que é realmente bonita, apesar de ser um pouco estranha, visto ter observado grandes contrastes de ambientes enquanto fazíamos um longo 'city tour' a pé, claro! Não posso deixar de referir o fascinante ambiente que se gera nos tradicionais 'pubs', que é sem dúvida aliciante, onde toda a gente bebe e conversa e canta e sei lá mais o quê… Fiquei bastante surpreendida, pela positiva, com a fundamentalista capital da Irlanda do Norte.

A seguinte viagem, foi até à cidade do recente adversário do nosso grande glorioso, Liverpool! Uma cidade bonita, cheia de vida, com imensa gente na rua a qualquer hora do dia, desde pessoas locais como turistas. Penso que seja uma cidade um pouco 'sustentada' à custa da tão conhecida banda britânica 'The Beatles' visto haver várias referencias a estes, na altura, jovens cantores. Tive o prazer de poder visitar o museu 'The Beatles Store', e para quem gosta, recomendo veemente que o visitem porque é realmente fascinante.

A grande cidade de Londres foi a paragem seguinte. Acho que não há muito que possa dizer a cerca desta magnifica e triunfante cidade, pois acredito que cada um de vós já lá tenha ido, ou para quem ainda não foi, tudo de bom o que se diz e o estereotipo que se impõe sobre ela, é com certeza, o suficiente para a descrever. Aproveitei ao máximo os poucos dias que lá pude estar, fazendo dia-a-dia de turista!! Visitei todos os pontos referenciais de Londres (Convent Garden, Leicester Square, Piccadilly Circus, Green Park e St. James Park, South Kensington, Westminster, Camden Town, etc), o Zoológico, a plataforma 9 e 3/4 na estação King's Cross, (onde o Harry Potter todos os anos partia em mais uma aventura escolar para Hogwarts) e ainda tive uma aterrorizadora mas super divertida tarde nas 'The London Dungeon'. É mais que certo que nem um mês dá para correr Londres de uma ponta a outra, por isso no próximos mês lá estarei novamente, para ir de encontro com a nossa querida amiga Filipa (um beijinho =*).

Ultimamente, como o tempo se encontra mais favorável para passeios, tenho aproveitado para explorar 'North Wales' que é sem margem para dúvidas muito bonito, e aqui digo, que os ingleses não dão o mínimo valor aquilo que têm. Há imensas vilas e pequenas cidades para explorar, cada uma ao seu estilo e com algo diferente que as caracteriza. Mas uma descrição mais pormenorizada virá em breve num outro post!! (está prometido)

A minha última e recente viagem foi até à gélida mas quente polónia, para visitar e conhecer o meio que envolve e que tão bem acolheu a nossa escama mais gordinha (ahaha chuchu). Mas como é obvio, a operação Kortowiada merece exclusividade total!! Por isso, e como é da minha responsabilidade relatar o nosso dia-a-dia e a noite-a noite, porque não amanhã estar aqui um novo post?!

Por aqui termino, visto que está na hora de entrar para o avião que me levará a Portugal para passar um fim de semana que sem dúvida vai ser inesquecível.

A todas as minhas companheiras escamas, que à muito que estão longe do nosso querido Portugal, às que já regressaram e às que só agora partiram, aqui fica um beijinho de boa sorte, para a etapa final, e para o Sinocas, para a etapa inicial, e cheio de saudades! Em breve estamos todos de regresso, por isso bora lá queimar os últimos cartuchos!!! =P


Até ao próximo post =)

La Città

Lecce, uma cidade fundada à mais de 2000 anos pelos Messápios, é hoje considerada como a Florença do Sul de Itália, devido à sua riqueza do barroco em todo o seu centro histórico. Esta cidade fez parte de vários impérios como o Bizantino, Normando, Espanhol e claro o império Romano (Fonte Wikipédia).

E chega de história.
Quando cheguei a Lecce, devo admitir que a impressão inicial não foi a mais excitante. Pode ter sido devido ao mau tempo que fazia naquele dia aliado ao transito italiano, onde a anarquia é uma vertente da forma de os italianos conduzirem. E claro está que estacionar nesta cidade envolve alguma perícia, pois os lugares são apertadinhos....
Claro está, que fazer juízos de valor sem ter um conhecimento minimamente pertinente sobre um dado assunto, normalmente as coisas são mal avaliadas desde inicio, e isto meus amigos e cientistas, é algo que a meu ver, temos de ter sempre em mente, não só no trabalho, mas também nas outras vertentes das nossas vidas.
Facto é, que até agora Lecce apresenta-se como uma cidade brutal! É pequena, o que para mim é um atributo, de facto o centro histórico é digno de se ver, e o ambiente é igualmente interessante.
Uma coisa interessante desta cidade, é que o centro histórico, não é somente uma zona para turistas, mas sim representa o centro da cidade e dos seus cidadãos, pois é aqui que tudo se passa. O que torna esta parte da cidade tão encantadora, é o facto de estar sempre cheia de gente, não me refiro a turistas, não é que não os haja, mas sim dos locals. Para dar mais charme a estas ruas e praças, vocês sabem como são os Italianos no que se refere ao vestuário, sempre fashion! e isto é de facto uma realidade, vê-se muita mas muita gente bem vestida e para ir tomar um simples café ou ir dar um passeio depois do jantar.
Melhor que as palavras, só as imagens para descrever melhor o que eu quero dizer, mas ainda melhor que isso, só estar de corpo presente para o verem, com os vossos próprios olhos, e claro está que não vou convidar ninguém para cá vir, pois tal acto é completamente desnecessário, venham e pronto!
Ficam umas fotos desta bela cidade, que por agora, está realmente a encantar-me!

Ciao!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nordn Iron

Depois de ler e ver o post do nosso amigo Leccese, nem me sinto confiante em escrever, porque não quero estragar o momento do membro que faltava!
Sinto porém uma enorme sensação de etapa cumprida por parte de sino, que apesar de ter tido as peripécias do joelho e mais o estágio não realizado, conseguiu chegar ao destino e com inspiração divina para iniciar-se na pele de uma escama que por aí anda pela Europa. Uma viagem assim nunca vem só, ganha-se sempre com isso e coragem não lhe faltou, está de parabéns!
Decidi visitar um velho amigo meu a semana passada e inclusivamente falei em privado com o vulcão "impronunciável" para me deixar ir até terras Célticas. A ryanair tornou-se amiga de muita gente, incluindo eu, que apesar do reduzido espaço para os joelhos, chega sempre a horas.
De Brussels-Charleroi para Dublin, por um baixo custo, consegui pela primeira vez ir ao Reino Unido, o qual sempre esteve na minha lista de sonhos. Em Dublin fui ao museu da cera onde vi inumeras criaturas:
Desloquei-me claro ao museu e fábrica da Guiness para degustar uma das melhores Guiness que já experimentei, na qual a vista serviu como factor decisivo, ora vejam:
Para não chatear o nosso amigo Laurodérmio, durante o dia andei a fazer turismo por Dublin antes de ir para "Belfást". Ao chegar a Belfast deparei-me com as líbras, as quais não estava habituado, mas por conhecimento vim prevenido com um saco de moedas bem pesadas e com outro tintilar do que o €. O Lauro, como é de sua natureza, veio cordialmente como anfitrião receber a visita à estação. Ao ver-me, lauro diz para consigo: "O chato do Sidónio veio-me interromper o trabalho de laboratório que eu tanto gosto!". = )
A vida é cara e muito diferente, mas não deixei de fazer um pouco de turismo aleatório e com algums pancas de vez em quando. A verdade é que se aprende bastante sobre uma cultura quando lá se está ou se vai lá ter com alguém que conhece o sistema! A ideia que tinha sobre as histórias da Irlanda do Norte nunca estiveram bem compactas, mas desta vez consegui ingerir o passado daquela sociedade/povo, que vive sob influência da mentalidade Inglesa, mas que no fundo querem ser maioritariamente europeus (por assim dizer livres e de mente aberta). Eu sei que posso estar a interferir com a sensibilidade de alguns leitores, mas é a minha opinião!
Esquadra da policia bem fortificada para ilustrar a insegurança que se viveu durante muito tempo!
Depois de dias de turismo a diambular por Belfast, chegou a 6a feira, dia de ir curtir e beber uns copos. A tradição de enfrascar é também ela diferente, mas interessante! Jantar do rugby, jantar do laboratório, gastar uns pounds, conhecer mais uns cidadãos do mundo novo e, por vezes, criticar ou comparar culturas e detalhes como tanto gosta o tuga de fazer. Tenho que referir que encontramos um compatriota algo invulgar, mas de cabeça sempre erguida perante a mudança de Itália para Irlanda do Norte.
Chewbacca, o nosso benfica está sempre presente, tal como as babes, que desta vez eram amigas de laboratório!
O domingo foi o clímax da minha viagem e aqui peço publicamente autorização para utilizar uma ou outra fotografia de tua máquina, dérmio. A calçada do gigante que engloba também uma história mitológica mas de caráter humoroso, transparecendo-nos para uma sensação de miniatura que é a raça humana!
Em alguns sitios, há que ver o lado positivo: o alívio de fenómenos fisiológicos é permitido em certos museus ao ar livre...quando mija um português, mijam logo 2 ou...não havia mais!

Um dos outros momentos do dia foi o vislumbrar das falésias onde o mar possante se envolvia com a costa rochosa, ondas de pequena envergadura mas surfaveis, ao contrário da Bélgica.
Enfim, gostei do turismo, das histórias, da cultura, da malta que conheci, das múus e ovelhas a pastar, dos campos verdes e especialmente de rever o nosso caro amigo Blackie...mas não gostei nada de não poder encontrar uma jola em qq bar/pub depois da 1 da manhã, fiquei mesmo revoltado. Não foi grave, aceitei as regras como elas são, mas ficou-me entalado.
O fim de semana tinha acabado e estava na hora de partir, despedimo-nos e cada um voltou à sua vida, mas a verdade é que ainda fui parar a casa da Alex e Julio em Dublin, que amavelmente me acolheram uma noite e me mostraram a vivência que têm por lá.
Agora está na hora de ir ler artigos!
Abraços e obrigado Lauro, thanks Emma, Alex e Julio!

Cara Mu! - Ultimatum

Como deves ter percebido, a malta começa a ficar farto da tua passividade neste blog!!! como é possível estares ai à tanto tempo e teres menos post que eu??!!!

Este mini post serve para te fazer um ultimato!

- Ou publicas alguma coisa sobre a tua vida ai por Bangor, a ida à Polónia, ou mesmo discutires a cor das vacas de Bangor, ou então sofrerás uma pena, a qual eu proponho que sejas empalada com um varão de anzóis em brasa!
Se algum dos autores tiver uma ideia melhor, esta é muito bem vinda!

L´inizio

(Relato de um jogo)

- Passam 35 minutos da 2ª parte, eis que entra a estrela da mítica equipa dos Carapaus de Corrida, La Campana Leccese!!!
- Temos de admitir que não é o jogador mais técnico da equipa, mas de facto o valor que este jogador representa para os seus colegas, é sem duvida um elemento chave na moral desta enorme esquadrilha!
- Tens razão "Fernando", os kms que este jogador faz, mesmo quando entra no final da partida ( o que é bastante comum) e o fervor que levanta nos adeptos aquando a sua entrada, é sem duvida alguma, um talismã para esta equipa.
- Conseguimos apanhar este jogador antes da sua triunfante entrada em campo, e fazer-lhe algumas perguntas acerca do que se iria passar lá dentro.
(...)
Quando li este excerto de um jornal desportivo, devo dizer que fiquei bastante concordante com ele, por isso é que o transcrevi, para dar inicio ao meu primeiro post desde que estou em Itália. ;)
Ora bem, como já todos devem saber, o destino traçou que viesse parar a Lecce.

Parti das Caldas ás 1700 do dia 15 de Maio, a primeira etapa foi até Faro, fiz este desvio mais longo, para me despedir da malta lá de baixo, por isso não venham chamar-me burro por ter feito um caminho mais longo.
Em Faro mantive-me pelas Gambelas, onde me despedi da malta local, peço desculpa à malta da praia que não me despedi pessoalmente, mas como sabem, se uma pessoa dá em ir visitar malta, como um Pipi, depois desse momento, as coisas tornam-se mais difíceis...
No segundo dia da jornada, o objectivo era é ficar perto de Valência o que assim se sucedeu, se bem que a algum custo, principalmente pela ultima parte, onde o cansaço de um dia de condução, aliado ao facto de "gostar" de andar com a carrinha na reserva à mais de 90kms (sem saber para quantos esta dá), em caminhos de terra batida, em plena noite escura, mas enfim lá dei com o parque e passei uma noite bem descansada.
O objectivo do dia seguinte, era chegar a Barcelona onde teria que estar até ás 2000 horas no cais de embarque com a carrinha. Cheguei ás 1630 ao cais, e fui dar uma volta pelas redondezas.
Por volta das 2100 horas, embarquei com a "casa às costas" no ferry, onde a estacionei e fui para os andares superiores. Lá dentro éramos divididos por classes, os senhores passageiros com direito a quarto para um lado, os vagabundos, ciganos e turistas miseráveis para o outro ( isto não foi mesmo assim, estou a brincar). Lá dentro, no meu e de mais umas 25 pessoas, quarto, sala de estar, etc, o cheiro não era o mais agradável, cheirava a gente, num ambiente bastante tropical, isto por ser quente e húmido.
Pouco depois de o ferry sair do porto, um rapaz alemão com ar de italiano, veio pedir-me um favor, que marcasse o despertador do meu telemóvel para as 6 da manha, pois este queria ver o nascer do Sol e não tinha telemóvel para o acordar. Deduzo que nem todos todos os autores deste blog, como o Chew ;), gostaria de receber um pedido destes, mas vocês sabem como eu sou, e claro que fiz o que me pediu pois achara uma excelente ideia! Depois disto, começamos a falar e vim a descobrir que era um puto da geração de 90 com 20 anos! Este andava a viajar sozinho à boleia, à 4 semanas. Tinha começado a viagem em Faro, onde acho haverem muitos turistas, então foi para Espanha, onde apanhou o ferry até Marrocos, onde passou 3 semanas. agora estava a caminho de Roma, para ir ter com uma amiga que conhecera em Marrocos.
No dia seguinte depois de uma noite deitado, ao lado de uma cinquentona que ressonava que nem um Homem que tinha passado o dia a cavar batatas, lá acordamos à hora prevista para ver o nascer do Sol, romântico hã?... No final da viagem, resolvi contribuir para a viagem de Moritz, o seu nome, dando-lhe boleia. Acabamos por ir ficar a um parque de campismo junto ao lago Brascciano, que fica a cerca de 30kms de Civictavecchia e outros tantos de Roma. Para o jantar fiz uma feijoada à transmontana! de lata claro, contribuindo também assim para o bem estar do Moritz, com esta refeição quente, coisa que ele confessou já não ter a algum tempo. Depois de jantar de do Moritz ter lavado a loiça, fomos acabar de beber uma garrafa de tinto que trazia da terra, à beira lago, que se apresentava mais ou menos assim:

Para a noite sair mais barata, e porque o Moritz já tinha o orçamento da viagem quase esgotado, decidimos dormir os dois na carrinha. Eu sei que esta revelação poderá tornar-se alvo de chacota por alguns autores, mas fiz o que fiz, que não foi mais que dormir no mesmo espaço com um alemão que tinha conhecido à 24 horas (sou uma granda pega, eu sei lol) por meras razões de logística.
Deixei-o às portas de Roma na manha do dia seguinte e segui caminho para atravessar Itália e ainda ir dormir à espora da bota italiana. a viagem foi tranquila, embora tenha perdido algum tempo a procurar uma estrada que já não existia, é o que dá em usar mapas velhos e recusar usar o GPS que a minha mãe tanto quis que eu levasse.
Quando não se tem sono, arranja-se sempre algo para fazer, nem que seja num parque de campismo sem ninguém.
No outro dia, depois de me tratar e das coisas da casa, fiz-me à estrada, onde parei logo de seguida para ir ver a praia, que ao aproximar-me dela parecia prometedora, mas quando meti os p´s na areia, deparei-me com a praia mais suja que alguma vez vira! Era absolutamente medonho, as toneladas e toneladas de lixo! Foi mesmo uma imagem deprimente.
Pouco tempo depois, já na estrada, começo a entrar numa zona montanhosa mas à beira mar, a qual faz parte de uma área protegida, pelo que é bastante bonita. Para terem uma ideia, era uma zona de rocha calcária branca, que apresentava grandes falésias calvas salpicadas com o verde das copas dos pinheiros, que mergulhavam no azul-turquesa do Mar Adriático. Depois de almoçar com uma paisagem como esta, foi altura de fazer kms até Bridinsi, que depois de passar esta cidade comecei a procurar local para ficar. Passadas quase duas horas lá encontrei uma camper area, na qual não de deixaram ficar porque a minha casa não tinha sanita.... Assim prossegui caminho e pouco tempo depois encontrei um sitio bem simpático!
Na 6ª feira, dia 21 de Maio de 2010, cheguei a Lecce! Estacionei a casa e fui procurar o local onde era o gabinete de mobilidade, neste fui muito bem recebido, tratei da papelada toda e fui em busca das minhas instalações temporárias, que é um Bed & Breakfast, na parte antiga da cidade. Desta vez, deixe a burra da mulher do GPS dizer-me para onde ir, claro está, que quando se mete mulheres a fazer trabalhos de homem, a coisa dá sempre para o torto. Ele era mandar-me por ruas de sentido contrario, ruas onde os veículos não podiam circular, enfim mulheres ;p. Ao fim de muitas voltas e algumas contra-ordenações, lá dei com o sitio, que se trata de um antigo palacete do séc. XVIII, o qual é dirigido pelo Paolo, um homem dos seus 50 e tal anos, que é uma pessoa impecável e altamente prestável. Perguntei-lhe onde haveria de ir comer, ele sugeriu-me um tal restaurante, no qual quando entrei, fui logo reconhecido pelo dono e elementos do staff, pois Paolo avisara-os da minha chegada. Mais uma vez fui muitíssimo bem recebido, coisa que começa a ser comum por estes lados, especialmente quando descobrem que estou em erasmus e que sou Português, neste caso é comum uma exclamação do tipo "Mourinho!!! Belíssimo!"
Bom acho que o texto já vai longo, por isso em termo de viagem estamos conversados! Mais pormenores, temos o Skype!

Abaixo estão mais umas fotos, para quem as quiser ver



Ciao!