terça-feira, 27 de abril de 2010

Estatísticamente...

Já pareço um político, prometo e não executo!
Hà umas semanas atrás prometi deixar umas imagens e novas histórias...o que só hoje está a acontecer. A verdade é que estou de molho em casa porque o clima decidiu invadir-me de tosse e outros. Como todas as escamas devem ter reparado, o tempo primaveril instalou-se durante bastante tempo. Parece incrível, mas não chove em Gent hà mais de 3 semanas. Por esse motivo e talvez por atitude minha, achei que podia andar de t-shirt sem problema...até cheguei a ir à praia, mas o tempo por cá é matreiro e deixo-me fraco por uns dias...Enfim, chega de tempo e doenças.
Não sei se sabem, mas o Mitch e Fred inscrevera-se para fazer este mestrado no próximo ano...a meu ver será um mestrado de muito trabalho, amigos novos, ambientes diferentes e claro, viagens inevitáveis à Holanda # )
Por cá está-se bem, tou a fazer uma cadeira de estatística que não cabe na cabeça do diabo, porque o prof. chileno é janado dos cornos! Para além de não aprendermos nada de jeito, a aula é deveras secante! Ao menos passamos a saber mexer no software statistica.
Estatisticamente, esta provado que os alunos têm um aumento de desempenho académico quando o professor é bom ou quando o tema nos interessa e é explicito...por isso, a todos que pensam seguir uma carreira de docente, sugiro que sejam interactivos e vivos quando derem aulas, porra! Porque, afinal de contas, a gente paga pa isso, né?!!
Estou feliz pelo sininho, que está a dias senão horas para partir de terras lusitanas e destinar-se a local onde irei, por conicidência, performar o meu estágio, como algumas escamas sabem. Fico-lhe inteiramente grato, pois para além de abrir novos caminhos aos carapaus, o sininho será uma referência para o que o futuro me reserva. Ele dar-me-a conselhos, tal como eu darei às nossas escamas mais novas (Mitch e Fred).
Há cerca de 1 mês e meio tive uma cadeira de importância extrema, no que diz respeito aos meus interesses. A introdução a sistemas de informação geográfica (GIS) teve os seguintes resultados.
Já outras cadeiras mais práticas envolveram saidas de campo ao triste mas muito movimentado estuário do "WesterScheldt"...que é quase impronunciável, mas como demonstram as imagens.

Reparem que a meu ar escuálido e gordo é sinónimo de falta de sol por estas bandas! Ao menos já me meti no Remo!
Pouca coisa me resta dizer senão boa sorte para o sininho, templária e que as outras escamas mantenham o seu nivel de trabalho e atitude acima de tudo!
Ouvi dizer que o objectivo era chegar aos 100 posts...vamos a isto carapaus!

domingo, 25 de abril de 2010

Y ahora mi niño?

Ora bem, nem sei por onde começar com tantas voltas e reviravoltas que a minha aventura por terras Canárias deu. Após ter provado na pele toda a lentidão, angustia e por vezes incompetência por parte da minha orientadora de cá, para que a minha tese arranca-se, (desde os inícios de Novembro ate meados de Março) eis que dou por mim irremediavelmente de volta à casa de partida. Depois de todos os contratempos que fui vítima, que passaram desde o atraso nos alimentos, à incerteza nas metodologias ou por diferentes prioridades da minha coordenadora, descobri com grande pena minha que as metodologias estavam erradas…é o que dá esperar sentado que as coisas nos caiam no colo e não ter sentido critico, já o meu paizinho mo dizia.
Resumidamente dei-me conta que consideraram o peso seco e o peso húmido dos alimentos que estou a utilizar como iguais, fazendo com que certas tartarugas estejam a comer mais do que deviam. Após uma semana e picos de inúmeros mails, telefonemas e pesquisas, acompanhados por todas as fazes próprias destas situações como pânico, irritação, frustração, depressão, aceitação e reacção, cheguei à conclusão que dificilmente o que estou a fazer aqui me vai servir para a tese, tendo que para o ano aventurar-me por outras paragens. Até agora não tinha confrontado as minhas responsáveis, talvez um pouco por apatia ou por medo, pois elas sempre me arranjavam uma explicação plausível e eu lá me conformava, seguro que estava em boas mãos, eis quando se deparou perante mim este erro crasso da metodologia e a usual explicação deu lugar a um “desculpa”. Após muitas voltas e conselhos, lá conclui que a melhor opção seria terminar o que eu estou a fazer para que possa aproveitar ao máximo esta situação, podendo depois analisar os dados e perceber se ainda posso espremer uma publicação daqui ou não mas ao menos isso parece me possível. Gostava de puder dizer que tão a ser umas ferias mas a verdade é que nunca o foram porque desde que aqui cheguei que o lazer foi posto para segundo plano, como tem de ser, e fico com a sensação que podia ter desfrutado mais caso as coisas tivessem corrido como eram de esperar, mas enfim à que ser pratico e se possível optimista. Visto que a Lucía já terminou o seu projecto e regressou à península, deparei-me com este problema que por vezes se tornou maior do que eu e sem puder falar com ela sem ser pelo telemóvel ou com as outras escamas que se encontram espalhadas pelo velho continente pelo skype, visto que aqui a internet parece que tem vontade própria e raramente colabora comigo. Nesta situação acabei por falar com um professor de pintura que também se encontra a viver no hotel escola, que ate essa altura o tinha rotulado como o que se pode chamar na gíria como um “carocho” ou “frito” tal era a quantidade de fumo que se parecia ter alojado na sua cabeça durante um tempo indeterminado e o desajustamento que por vezes revelava. Mas enfim, não me recordo bem como acabamos a conversar mas lá fomos começando a trocar ideias á media que o quarto e as nossas mentes se enchiam de uma neblina espirituosa e ele lá me contou, entre outras coisas, que tinha sido alcoólico durante vinte penosos anos e uma serie de experiencias e conselhos lá foram brotando da conversa. A verdade é que ganhei um respeito imenso por ele. Tudo bem que não saiu totalmente inteiro desses vinte anos mas consegui sair, coisa que já por si é de valorar. Mas o que mais me impressionou foi o quão claro tinha os seu princípios e convicções cimentadas, dei me conta que mesmo tendo já uns avançados 50 anos, ele encontra-se verdadeiramente preparado para a vida e as suas contrariedades ao contrario de muitos que têm uma vida dita normal, mas que nunca vão estar preparados para fazer alguma coisa ela. Ao fim ao cabo a vida passa por todos nós, mas poucos de nós conseguimos realmente contraria-la. A nossa conversa lá segui, com conselhos mútuos à media que as nossas mentes se tornavam pequenas demais para os nossos corpos tal era a quantidade de fumaça que as tinha invadido. A verdade é que nossa conversa me ajudou bastante e senti-me um pouco frágil e infantil pelo simples facto de ter estado tão angustiado por me ter desencaminhado por uns míseros meses, visto ter diante de mim a situação e a pessoa em questão. Não é que tenha perdido estes últimos meses, sinto uma grande evolução quer em termos pessoais e académicos …lá está comecei a ver as coisas de uma maneira pratica e se possível optimista como tem de ser. Assim depois de falar com a minha mãe e o meu pai, lá decidimos durante o próximo mês tentaria ser o mais profissional por assim dizer, terminar o que comecei e voltar à nossa pátria.
Passados uns dias vou ao nosso abandonado blog e dou com o post do nosso amigo Sinocas e dos seus preparativos. Imagino que para vocês, igual que para mim, não deve ter sido muito difícil imaginar o Sininho e o pai Sininho, os dois às oito da manhã na garagem com umas calças de ganga velhas e uma caixa de ferramentas, cheios de engenhocas e invenções para arquitectar o seu novo meio de transporte, que se arrastam até ao final do dia, após um banho para se limparem do suor e da ferrugem, deitarem-se na cama sem conseguirem dormir por estarem com a cabeça cheia de novas ideias e opiniões que no dia seguinte serão discutidas no pequeno almoço antes de se aventurarem novamente na garagem. Imagino que não devem ter sido nada fáceis estes últimos meses para ele também, mas lá consegui ser prático e optimista e agora deve estar nas suas sete quintas.
É com estes pequenos episódios que lá vou conseguindo força para não passar o dia a lamentar-me e a devorar rum com mel e cigarros e a conseguir ser também prático e optimista. Assim nestes próximos dias encontro-me decidido a encontrar todas as lacunas e as suas soluções do meu projecto e tentar fazer dele o melhor possível, mesmo que não me sirva para que era suposto, ao menos ganho experiencia e uma abordagem cientifica que no futuro seguramente irão ter a sua utilidade.
Parafraseando Sergio Godinho " Isto é como tudo, não há de ser nada"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

La Macchina

Ora bem,
como todos sabem, o meu meio de transporte, para me deslocar até Lecce, será a minha auto-crib. Trata-se de uma carrinha de 2 lugares com uma "casa" no compartimento de carga.
Após muitas e muitas horas de trabalho, eis que este meu projecto ( e do meu pai), está quase terminado, e como já vi demonstrações de curiosidade, sobre o estado do meu trabalho eis que resolvi colocar aqui umas fotos.
É de notar que a cama pode ser para 2 pessoas, tem arrumação debaixo desta, tem uma mesa com um camping-gaz, iluminação, etc.
ATENÇÃO- o que vão ver ainda não está 100% terminado, ainda faltam alguns pormenores, como acabamentos e forragens, mas está quase!
espero que gostem!







terça-feira, 13 de abril de 2010

The News

Ora boas malta!
A pedido de muitas famílias, venho por este meio esclarecer a minha situação actual.
Como já devem todos saber, o meu destino seguirá para Lecce, no Sul de Itália, virado para o Mar Adriático e como já devem ter percebido, a minha odisseia está com dificuldades para arrancar. O ultimo contratempo, e espero que seja mesmo o ultimo, são os documentos do meu carro que tardam em chegar, pois de resto estou pronto para partir.
O plano é o seguinte: tenho uma carrinha, tipo kangoo mas maior, onde fiz uma casinha no compartimento de carga, onde tenho a possibilidade de dormir e cozinhar. O trajecto será de Caldas da Rainha até Barcelona, onde apanho um ferry até Livorno. Daqui sigo para a costa Este de Itália e desço até Lecce. Ainda não ponho as fotos da minha nova casa porque ainda faltam alguns retoques, esperem por novas publicações para a ver, caso estejam interessados.
Como podem ver o meu nome ainda se mantém na versão antiga, esclareço que só o mudarei quando chegar a Lecce, estou à espera da inspiração que a viagem me der!
Fico-me com este pequeno post, para que fiquem com algumas luzes com o que se vai passar com esta escama que tarda em partir.
Ciao

quinta-feira, 25 de março de 2010

por dios

Antes de passar para o teclado as historias e novidades que já me vão revolvendo a cabeça, tenho de contar um marcante episódio, que não só vai ser um dos vários marcos desta minha passagem por terras majoreras, mas como uma lição que irá perdurar para o resto dos meus dias. Após um dia em que nada de produtivo surgiu para além de, polémicas à parte, descobrir que só vou ter um dia de férias na semana santa, ter feito a siesta espanhola na praia embalado pelas ondas do mar e ter visto um filme sem relevância absolutamente nenhum para o meu crescimento como ser pensante, é quando desço para o jantar que chego ao cenário desta minha marcante experiencia.
Sentei me com um professor de colégio infância com os seus quarenta e picos anos ao jantar, que anteriormente lhe tinha emprestado o disco externo para que visse alguns filmes. Aqui no hotel escola há uns quantos professores de substituição, que ao ficarem aqui por um curto espaço de tempo escolhem ficar alojados aqui por questões de comodidade. Mas a voltando à história, eis que me sento com ele e tive a minha primeira conversa realmente interessante desde que cheguei aqui com os canários. Deambulamos através de diversos tema como livros, politica, religião e filmes com a companhia de um prato de atum com massa. Estava-mos a fazer a passagem do tema dos livros para os filmes, que geralmente nunca é boa ideia porque se perdem demasiadas coisas, quando uma rapariga que estava ao nosso lado de nome Laura, uma majorera de gema, entra na conversa, por iniciativa do professor com que estava a falar (vergonhosamente não sei o seu nome) e começou a falar do popular Avatar. Lá fomos dialogando e eis que a certa altura a Laura nos começa a falar de um filme que tinha visto mas que era uma coisa muito estranha e que tratava de um homem que tinha ido à lua e encontro um miúdo que desenhava cabras…veio me um único livro à memoria mas não quis acreditar que era o mesmo mas meio a medo meio estupefacto lá lhe perguntei se o filme não se chamaria Principezinho e a suposta lua o asteróide B612, e como resposta recebo um sorriso rasgado e um olhar a transbordar de cumplicidade dizendo, sim sim esse mesmo!
Meus caros leitores e interessados, acho nesse momento me passaram pela cabeça os conselhos dos meus queridos pais matutando-me a cabeça dizendo que os livros são sempre melhores que os filmes e que se deve ler sempre antes de ver filme. Tudo bem que tem razão mas há certos livros que por uma razão ou outra não lemos e passamos directamente ao filme, ou porque não nos apetece, ou porque o livro se apresenta demasiado maçudo ou porque na altura estamos simplesmente curiosos, pessoalmente à anos que quero ler o Perfume e o Nome da rosa, mas o principezinho?! Para mim dos livros mais bonitos que li em toda a minha vida e que pela sua simplicidade pode ser lido por qualquer faixa etária, ter sido passado a um filme? E existirem pessoas que só viram o filme em saberem da existência da grandiosa obra que existe por detrás? A verdade é que na altura só me apetecia abanar a cabeça e dizer lhe com esta juventude onde vamos parar, arrepia-me a ideia de no futuro alguns dos meus contemporâneos pensarem que o principezinho é só um filme. Tudo bem que não o ler já por si é grave mas existir um filme? Estamos perante um dos maiores atentados da literatura a meu ver, e eu recuso-me solenemente a ver o filme porque a única coisa que faria seria reduzir o livro. Enfim serviço público à parte acho que todos os que lerem este post concordam comigo e faço um repto a todos os que não leram o livro de Antoine de Saint-Exupéry, pois com certeza será um dos grandes livros que vão ler na vossa vida na minha opinião.
E finalmente um pedido aos outros ilustres senhores que se envolvam um pouco mais no blog que eu devido à pouca internet que disponho pouco tenho sabido de vocês, principalmente do meu amigo sininho que pelo que percebo vai para Itália.

Abençoada Primavera...

Como toda a gente sabe....a Primavera começou à uns dias atrás....e aqui em Olsztyn, na Polónia, pode-se levar mesmo à letra, que acabou o Inverno e começou a Pimavera.

Há uma semana atrás ainda nevava, muitos graus negativos, depois passou a chuva e as temperaturas a aumentar a olhos visto....até que ontem, mas principalmente hoje, o Sol chegou punjante....cheio de força e creio com vontade de ficar.....para quem não sabe, aqui não é muito normal dias consecutivos de Sol....

Hoje, pela primeira vez desde que aqui cheguei, fui de casa até ao meu local de trabalho, de t´shirt....e perguntam vocês meus caros leitores, como é celebrada a chegada da Primavera, e consequente dias de Sol??

Pois bem, começa-se a ver óculos de Sol, algo que pensava que nem existia, raparigas com "cintos" compridos e alguns decotes bastante interessantes, rapazes de t´shirt e camisolas à manga cava, vê-se mais pessoal a andar de bicicleta, campos de futebol todos ocupados, mas principalmente mais sorrisos na cara, contrastando com as caras de pouco amigos, simbolizando o clima nublado do Outono e Inverno.....enfim muito melhor agora.....

E para quem já cá esteve, o jardim entre a minha residência e o lago que finalmente descongelou (que conheceram), encontra-se agora sempre cheio de gente, musica a alto som, muita cerveja e vodka, churrascos, enfim, completamente diferente...para muito melhor.....

Mas o mais impressionante são finalmente as caras de felicidade, enfim agora percebo, porque é que os portugueses, apesar das dificuldades, seja da crise ou por outros motivos, andam sempre felizes, afinal o Sol é o melhor remédio para a depressão e infelicidade.

Do widzenia

terça-feira, 23 de março de 2010

la continuacion


E antes que mais alguém se sinta inspirado e comece a espalhar por aqui as suas experiencias aproveito para deixar algumas das minhas recordações em forma de imagem de Lanzarote e Tenerife enquanto têm lógica.
Na vulcanica Lanzarote:
Na festiva Tenerife:

Espero que apreciem a reportagem fotográfica (bem sei que me excedido no numero de fotos mas achei que valia a pena), pois foi um penoso processo para as conseguir por no blog…raios partam esta internet terceiro mundista.
Mas voltando um pouco atrás no tempo, já ninguém tem nada para partilhar com o mundo da operação Polónia? Entre um que estava entre nós, que tentou brincar aos homens e acabou com fezes nos boxers ou de outro que fez revelações da sua vida mais íntima que envolvia uma expressão de “bico de pato” só para citar alguns…acho que essas historias merecem sair do armário.
E vamos embora minha gente, vamos voltar a encher este blog de experiencias e recordações e não de debates sobre ortografia.

Momentos novos!

Para evitar atitudes que renovações e contratações de um blog novo, volto com mais acontecimentos.
Apesar do meu baixo rendimento no que diz respeito ao futebol português, não deixo de comentar que o BENFICA já tem uma taça na mão...a próxima e mais importante a nível nacional não tarda! A verdade é que também tentei ver o jogo pela net, mas estava com sinal fraco, tal era a quantidade de utilizadores (maioritariamente benfiquistas pelo mundo fora)
Alguns já sabem, mas outros não: a minha namorada está a trabalhar num irish pub aqui por Gent o que lhe faz bem e a mim também, pois a frequência de jogos que tenho visto, sejam futebol ou rugby aumentou. A verdade é que não ter televisão em casa impossiblita a visualização completa e o ritual de ver a bola com os amigos. Assim, o irish é sempre uma boa escapadela do mundo do trabalho e do pequeno estúdio onde vivemos.
Esperava ter algumas fotos de Brugge e Antuérpia, mas não mas deram até agora! Visitas estas que foram realizadas enquanto familiares e amigos nossos cá estiveram.
Veronica, amiga alemã que conheci na Costa Rica!
Não posso dizer que tenho saudades da cozinha portuguesa, pois muitos dos visitantes trouxeram algumas regalias regionais que nos têm alimentado a alma lusitana e a barriga.
As notícias e intrigas provenientes da nossa terra chagam cá com menor intensidade, mas não deixam de nos afectar. Claro que há boas notícias, mas as más também chegam como relâmpagos, enter elas o nosso PM que parece andar às aranhas com tanta acusação que tem nas costas, a crise, o PEM, os avós velhotes e até mesmo os PIIGS.
A primavera chegou, mas mesmo assim os trabalhos continuam e estou numa fase quase de depressão, pois a busca incessante de tese de mestrado indicada para os meus requesitos nem sempre se encontram com facilidade. Bons tempos virão!
Entretanto, as bebedeiras têm aumentado aqui por Gent, pois já faz algum tempo que daqui não tiro os pés...realmente faz falta para quem está no centro da Europa e especialmente quando começamos a ver a mesma pessoa mais que uma ou duas vezes a diambolar pelas ruas da cidade. A certo ponto, torna-se uma cidade pequena...mas maior que Faro sem dúvida!
O dia de St. Patrick foi em grande. O Irish ao rubro e as melodias típicas acampanhada de Guiness encheram o papo de muitos! Conseguimos trazer uns quantos e no dia seguinte todos se queixavam do mesmo, eheheh!

A verdade é que tenho saudades disto:
mas não se pode ter tudo.
Meus amigos, não desistam dos posts, porque este sítio da internet nãodeixa de ser um elo de ligação ao qual nos mantemos conectados e podemos partilhar aventuras....e não podemos esquecer que o sininho ainda terá muito que contar quando nas pastas estiver a nadar que nem um carapau.

más que un club

Antes de terminar o meu capítulo sobre a minha vida turística, não resisto fazer uma breve referência a futebol, um pouco por culpa desta euforia dos benfiquistas por terem ganho a taça da vergonha…e não me venham com histórias que o Pedro Silva fez penalty, enfim. No hotel escola todos os cabo verdeanos ou são do Benfica ou do Porto deixando me a mim para encher essa grande lacuna de não existir ninguém do Sporting. Recentemente, um cabo verdeano convidou me para ver a final da taça da vergonha no seu quarto e eu lá fui para tentar preencher um domingo complicado, visto que no dia anterior tinham sido os carnavais de Morro Jable. E lá vimos o jogo sempre a parar e cheio de interferências, saltando de site em site, onde se via mais vezes a cara do Bruno Alves que o jogo propriamente dito. Acabei por não ver o jogo porque era hora de jantar e sempre que o Benfica marcava um golo ouviam-se dois cabo verdeanos histéricos aos berros o que me fazia com que eu, a toda a gente do hotel escola e mais alguém que tivesse a passar, não precisamos de ver o jogo. No final o Benfica lá ganhou por dois ou por três e final da história. Este pequeno episodio para que consigam perceber onde quero chegar. À umas quantas jornadas o Sporting ganhou ao Porto em Alvalde, que ficou três golos a não sei quantos e o mesmo cabo verdeano que semanas depois me convidou para ver a final da taça disse me que o padrasto dele em dois anos que ele estava em Morro Jable nunca lhe ligou, mas que mal o Sporting ganhou ao Porto, no dia a seguir ligou-lhe para falar do jogo e para ver como ele estava. E é isto senhor e senhores que o Sporting faz, une as famílias e quebra barreiras! Podemos não ser o clube com mais adeptos ou ter um presidente que aparece no youtube ao telefone, mas nós prezamos valores que valem muito mais que qualquer título entre eles a família, obrigado Sporting por fazeres deste mundo um sítio melhor.
Ainda sobre o tema do futebol, e como os bons e virtuosos nem sempre ganham, há uns dias fui ver o Sporting Atlético de Madrid a um bar que tem cachecóis de toda a parte espalhados pelas paredes, inclusive dos três grandes de Portugal, ou seja o típico sitio para o ritual de beber umas cervejas e ver a bola. O jogo como vocês já sabem terminou 2-2 e fomos eliminados (de cabeça erguida mas não deixamos de ser eliminados) mas ainda fui a tempo de meio eufórico, meio embriagado me virar para o empregado por duas vezes e proferir as palavras “GOoOooOoLOOO CARA…O, AQUI MANDA-MOS NÓS, AQUI MANDA-MOS NÓS CARA…O VAMOS PARA CIMA DESDE ESPANHOIS DE MER...!! AQUI MANDA-MOS NÓS CARA…O!!!!” enfim acho que todas as pessoas que já passaram por momentos em que não conseguiram parar quietos numa cadeira ou que ficaram amuados por momentos por causa de 22 jogadores atrás de uma bola percebem a minha atitude não? O empregado também era meu amigo e fanático do Real o que fez que ouve-se ali compreensão de parte a parte.

segunda-feira, 22 de março de 2010

de turismo

Fazendo um parênteses neste ambiente de disputa, que sinceramente me é bem nostálgico, e aproveitando a pouca internet que tenho, vou tentar fazer um resumo da minha vida como turista pelas ilhas Canárias, antes que o tempo faça a sua parte e me comece a deturpar alguns dos acontecimentos. Acerca de uns dois meses, altura em que ainda andava com o coração nas mãos tal era a incerteza da minha tese, eu e a Lúcia (quem mais) partimos rumo a Lanzarote, que a partir de Coralejo, cidade mais a norte de Fuerteventura, fica a uns escassos 30 minutos de barco, 15 se estiverem dispostos a pagar mais para andarem num barco que parece saído de uma serie de ficção cientifica, mas como não tínhamos assim tanta pressa preferimos o dos 30 min. Durante a viagem passamos pela isla de lobos, que é uma ilha protegida onde estão a tentar reintroduzir uma população de lobos-marinhos, e que antes do natal tivemos a oportunidade de visitar. No que toca a Lanzarote, esta é uma ilha muito mais colorida e pitoresca que Fuerteventura, onde o negro e o vermelho da terra, o verde intenso da vegetação e o azul do céu e do mar se misturam e nos fazem tirar o fôlego por breves instantes. Esta ilha de origem vulcânica, é consideravelmente mais pequena que Fuerteventura e pode se percorrer de uma ponta á outra facilmente num dia em ritmo de turista. As partes de maior interesse da ilha são o parque de Timanfaya, que consiste em 50 km² de paisagem surreal cheia de rochas vulcânicas e com mais de 25 vulcões. Ainda existe actividade vulcânica nesta zona inóspita sendo que no restaurante do parque, a comida é feita com o calor que vem de um buraco. As últimas erupções ocorreram nos anos de 1730 e 1736. Os Jamelos de água também são uma passagem incontornável, em que o arquitecto César Manrique, concilio na perfeição a umas grutas de origem vulcânica com um restaurante e um museu temático sobre vulcões. Aqui também podemos encontrar uma espécie única de caranguejos cegos que fazem parte do atractivo turístico e que se encontram obviamente protegidos, Munidopsis polymorpha (obrigado, wikipedia). Finalmente na ponta norte da ilha encontra-se um miradouro no pico de uma falésia acutilante, em que tenta-lo confina-lo a meia dúzia de adjectivos, não seriam suficientes para lhe fazer justiça. A juntar à imponente localização do miradouro, estava um céu límpido que dava outra grandiosidade ao miradouro. Após este fim-de-semana atípico foi no barco de vinda que nos cruzamos com a equipa feminina de andebol de Morro Jable e que graças à Lúcia acabamos a falar com o treinador, e dai ate terminar com as mãos em uma infinidade de seios suados foi uma questão de dias.
Passado um mês, eis que damos por nós os dois, mais o irmão da Lucía no aeroporto rumo a Tenerife, para passar os célebres carnavais da ilha, que a par com os do Brasil fazem parte já parte do campo lexical carnavalesco mundial. Quanto ao disfarce tinha na minha cabeça uma ideia que já me vinha desde os carnavais do ano passado: mascarar me de wally, o ilustre desaparecido que tantos de nos passamos parte da nossa infância à procura da sua camisola às riscas no meio de dinossauros, cowboys, extraterrestres e todos esses seres fantásticos que cabem no imaginário de uma criança. Não me parecia um desafio muito grande, visto que só necessitava de uma bengala, uns óculos redondos, uma camisola e um gorro às riscas e um pouco de boa vontade por parte de todos os que me olhassem. Infelizmente nenhuma destas coisas estava ao meu alcance e tive de desistir da ideia. O irmão da Lúcia trouxe para eles os dois, um disfarce no mínimo curioso: pastilha elástica colada a um chinelo, que basicamente consistia em uma roupa cor-de-rosa com mais uns quantos papeis igualmente cor-de-rosa colados e um chinelo agarrado a uma bandolet. A ideia até estava bastante engraçada mas o facto de não querer ir de igual com ninguém, e de ter de passar a noite toda a explicar a todos os curiosos de que ia mascarado, fizeram com que procura-se outro disfarce, e uma vez que o tio dela ia todos os anos aos carnavais de certeza que não teria problema em desencantar um disfarce de dentro do seu armário. Ao chegamos fomos recebidos pelo seu tio que nos levou a conhecer a ilha, levando-nos ao Teide, o ponto mais alto de Espanha (3.718 m), que mais parece saído de um de uma historia de fantasia e pela parte norte ao longo de um sem numero de escarpas que terminavam no mar, novamente encaixando na perfeição com qualquer conto para crianças. Ao longo do nosso passei turístico entre outras coisas percebi que o tio da Lucía era homossexual, até aqui tudo normal, não fosse o facto de ser uma reencarnação de uma mulher, demasiado expressivo e que inconscientemente acabava com o pulso a fazer um ângulo de 45 graus, ao contrário do irmão da Lúcia que também o é, e em que os suas preferências são somente isso, preferências com ser benfiquista ou gostar de alheira com batatas fritas. Isto tudo para vos poder situar melhor na próxima situação: quando chegamos à noite e fomos a casa do seu teu com os seus amigos para nos disfarçarmos para a noite, apercebo-me que todos os disfarces do seu tipo eram constituídos por uma panóplia de topes, perucas e saltos altos. Como alguns de vocês já sabem a piada que eu acho a disfarçar-me de mulher no carnaval, tentei arranjar uma alternativa mas vistos que era o único naquele grupo que me sentia atraído pelo sexo feminino e não querendo ser rotulado, injustamente, de homofóbico, já começava a procurar uns saltos altos que combinassem com um vestido, quando o tio da Lucía já começava a dar a ideia de me fazer a barba e desfrisar o cabelo descobriu um traje ligado à igreja (não me lembro de como se chama). O disfarce aliado à minha tonalidade de pele, cabelo comprido e barba por fazer, lá acabou por me fazer encaixar na personagem de Jesus Cristo que após uns óculos escuros, uns brincos e um lenço se acabou por transformar em Jesus Cristo Super star. E desta forma lá fomos para os carnavais, eu mais 5 marias madalenas ou virgens marias.
E assim vos deixo mais um pouco da minha vida majorera por terras Canárias visto que a inspiração e a vontade de escrever já me começam a faltar o que me leva a fazer a reportagem fotográfica no próximo post.
E já agora é com grande satisfação que vejo que a minha entrevista já serviu para alguma coisa para além de me dar um ar mais profissional, visto que uma das escamas já me veio contactar para ver a possibilidade de me seguir os passos como tratador de tartarugas, veremos como se desenvolvem as coisas.